Conheça os parâmetros

Parâmetros Físicos 

Temperatura

Em um mesmo corpo de água natural existem variações sazonais de temperatura, influenciadas por diferentes fatores, tais como: altitude, latitude, estação do ano, período do dia, profundidade e taxa de fluxo. Esse regime climático sazonal influencia no controle de todo meio aquático que pode sofrer alterações das condições naturais devido ao despejo de poluentes nos corpos de água, tais como dejetos industriais e usinas termoelétricas. O aumento da temperatura relaciona-se, entre outros, a um decréscimo na viscosidade, tensão superficial, calor específico e latente de vaporização, compressibilidade e constante de ionização, além de acréscimo da condutividade térmica e pressão de vapor. A alteração desses parâmetros físico-químicos, por sua vez, altera a biota do corpo de água em questão, uma vez que os organismos têm limites de tolerância, bem como temperaturas ótimas para crescimento, temperaturas preferidas para o seu desenvolvimento e limitações de temperatura para migração, desova e incubação do ovo, além da mesma também alterar, em alguns casos, a razão sexual dos ovos eclodidos.

 Turbidez

A turbidez em uma amostra de água pode ser entendida como o grau de sua transparência ou a intensidade de um feixe de luz ao atravessá-la devido à presença de um obstáculo, ou seja, de matéria em suspensão na água, como partículas inorgânicas (argila, silte, areia) e de detritos orgânicos, algas e bactérias, plâncton e demais organismos microscópicos.

Alguns fatores naturais podem interferir na turbidez:

  • Regime de cheias nas estações chuvosas, que causam sedimentação pela movimentação dos sedimentos de fundo;
  • Erosão das margens dos rios;
  • Despejo de dejetos oriundos de esgotos sanitários e efluentes industriais;
  • Mineração, que acaba criando bancos de lodo e alterando o ecossistema aquático.

A diminuição da passagem de luz dentro de um corpo de água influencia a taxa de fotossíntese da vegetação submersa e algas, suprimindo por consequência a produtividade de peixes.

Espumas

A formação de espumas tem relação com a presença de altos níveis de surfactantes (detergentes) e gases sulfídricos. Elas aparecem como resultado de poluição intensa, apresentando uma coloração escura da água e a liberação de gases na sua superfície, evidenciada pela presença de bolhas (espuma) que apresentam maiores concentrações de poluentes, microorganismos patogênicos e toxicidade em relação às águas.

A escassez de oxigênio dissolvido na água, valores elevados de coliformes e altas concentrações de fósforo, nitrogênio e surfactantes, aliados ao excesso de matéria orgânica nas águas, contribuem também para intensificar a formação dessas espumas.

Lixo

A presença de lixo em suspensão, submerso ou nas margens de um corpo de água é indicativo de poluição próxima ao ponto de amostragem, sendo um agravante para a fauna e flora local por interferir na turbidez e composição química da água, dependendo do tipo de material despejado, e para abastecimento público.

Cheiro

Resultam de causas naturais (algas; vegetação em decomposição; bactérias; fungos; compostos orgânicos, tais como gás sulfídrico, sulfatos e cloretos) e artificiais (esgotos domésticos e industriais). O padrão de potabilidade da água indica que esta deve ser completamente inodora.

Material sedimentável

Os resíduos sólidos presentes na água podem ser divididos em:

  • Sólidos sedimentáveis: sedimentam após um período de repouso da amostra;
  • Sólidos não sedimentáveis: removidos apenas por processos de coagulação, floculação e/ou decantação.

Parâmetros Biológicos

Coliformes

Os coliformes são de grande importância para a saúde, sendo um grupo de bactérias gran-negativas associadas às fezes de animais de sangue quente. São depositados em corpos de água geralmente oriundos de despejos de esgotos sanitários.

Pertencem aos gêneros Klebsiella, Escherichia, Serratia, Erwenia e Enterobactéria.

A determinação da concentração dos coliformes assume importância como parâmetro indicador da possibilidade da existência de microorganismos patogênicos, responsáveis pela transmissão de doenças de veiculação hídrica, tais como febre tifóide, febre paratifóide, desinteria e cólera.

Parâmetros Químicos

 Oxigênio Dissolvido

O oxigênio proveniente da atmosfera se dissolve nas águas naturais, devido à diferença de pressão parcial. Este mecanismo é regido pela Lei de Henry, que define a concentração de saturação de um gás na água, em função da temperatura.

Outra fonte importante de oxigênio nas águas é a fotossíntese de algas. Este fenômeno ocorre em águas poluídas ou, mais propriamente, em águas eutrofizadas, ou seja, aquelas em que a decomposição dos compostos orgânicos lançados levou à liberação de sais minerais no meio, especialmente os de nitrogênio e fósforo, que são utilizados como nutrientes pelas algas.

Esta fonte não é muito significativa nos trechos iniciais de rios à jusante de fortes lançamentos de esgotos. Fatores como turbidez e cor elevadas dificultam a penetração dos raios solares ocasionando a sobrevivência de poucas espécies resistentes a essas condições severas de poluição. A contribuição fotossintética de oxigênio só é expressiva após grande parte da atividade bacteriana na decomposição de matéria orgânica ter ocorrido, bem como após terem se desenvolvidos também os protozoários que, além de decompositores, consomem bactérias clarificando as águas e permitindo a penetração de luz.

Este efeito pode “mascarar” a avaliação do grau de poluição de uma água, quando se toma por base apenas a concentração de oxigênio dissolvido. Sob este aspecto, em linhas gerais, águas poluídas são aquelas que apresentam baixa concentração de oxigênio dissolvido (devido ao seu consumo na decomposição de compostos orgânicos), enquanto que as águas limpas apresentam concentrações de oxigênio dissolvido elevadas, chegando até pouco abaixo da concentração de saturação.

Uma adequada provisão de oxigênio dissolvido é essencial para a manutenção de processos de autodepuração em sistemas aquáticos naturais e estações de tratamento de esgotos. Através de medição do teor de oxigênio dissolvido, os efeitos de resíduos oxidáveis sobre águas receptoras e a eficiência do tratamento dos esgotos, durante a oxidação bioquímica, podem ser avaliados. Os níveis de oxigênio dissolvido também indicam a capacidade de um corpo d’água natural manter a vida aquática.

Demanda Bioquímica de Oxigênio

A demanda bioquímica de oxigênio (DBO) é a quantidade necessária para oxidação da matéria orgânica por ação de bactérias aeróbias, ou seja, a quantidade de oxigênio que seria necessário fornecer às bactérias aeróbias para consumirem a matéria orgânica presente na água. Normalmente é determinada em laboratório, verificando-se a quantidade de oxigênio consumida em uma amostra de água durante cinco dias, a uma temperatura de incubação de 20°C, sendo representada pela simbologia DBO5,20.

A demanda bioquímica de oxigênio aumenta em um corpo de água, no geral, por despejos de origem predominantemente orgânica. A presença de muita matéria orgânica pode induzir à completa extinção do oxigênio contido nessa água, provocando o desaparecimento de peixes e demais formas de vida aquática.

No campo do tratamento de esgotos, a DBO é um parâmetro importante no controle da eficiência das estações, tanto de tratamentos biológicos aeróbios e anaeróbios, bem como físico-químicos (embora de fato ocorra demanda de oxigênio apenas nos processos aeróbios, na demanda “potencial” pode ser medida à entrada e à saída de qualquer tipo de tratamento). Na legislação do Estado de São Paulo, através do Decreto Estadual nº 8468, a DBO5,20 é padrão de emissão de esgotos diretamente nos corpos d’água, sendo exigidos uma DBO5,20 máxima de 60 mg/L ou uma eficiência global mínima do processo de tratamento na remoção de DBO5,20 igual a 80%.

A DBO é também uma ferramenta imprescindível nos estudos de auto-depuração dos cursos d’água. Além disso, constitui um importante parâmetro na composição dos índices de qualidade das águas.

Potencial Hidrogeniônico (pH)

O Potencial Hidrogeniônico (pH) consiste num índice que indica a acidez, neutralidade ou alcalinidade de um meio qualquer. O pH influencia diversos equilíbrios químicos, como precipitação de elementos químicos tóxicos (como metais pesados), a solubilidade de nutrientes e a fisiologia de diversas espécies presentes no corpo de água, sendo portanto um parâmetro importante em muitos estudos no campo do saneamento ambiental. Os critérios de proteção à vida aquática fixam o pH entre 6 e 9. O pH neutro (7) é o ideal para se manter um ecossistema mais diversificado e estável, tanto considerando organismos aeróbios como anaeróbios.

Nitrato

O nitrogênio contido na água possui diversas fontes, dentre elas, os esgotos sanitários (em sua forma orgânica contida nas proteínas e nitrogênio amoniacal), efluentes industriais (químicas, petroquímicas, siderúrgicas, farmacêuticas, de conservas alimentícias, matadouros, frigoríficos e curtumes), atmosfera (fixação biológica do nitrogênio atmosférico por bactérias e algas), áreas agrícolas (fertilizantes) e áreas urbanas (deficiências do sistema de limpeza pública).

A forma de nitrogênio denominada nitrato é uma forma oxidada, associada a um despejo de esgoto distante da área onde a amostra foi coletada.

Os compostos de nitrogênio são conhecidos como macronutrientes, sendo o segundo maior exigido nos processos biológicos pela célula (os primeiros são os compostos de carbono), podendo enriquecer o ambiente onde são despejados, juntamente com fósforo e demais nutrientes, possibilitando o crescimento dos seres vivos que os utilizam, num processo chamado como eutrofização. No entanto, quando essas descargas são em grande volume, a proliferação desses organismos, em especial as algas, podem trazer prejuízos ao uso, prejudicando o abastecimento e causando poluição por morte e decomposição.

Pela legislação federal em vigor, a resolução CONAMA nº 357/2005, o nitrogênio amoniacal é padrão de classificação das águas naturais e padrão de emissão de esgotos. A amônia é um tóxico bastante restritivo à vida dos peixes, sendo que muitas espécies não suportam concentrações acima de 5 mg/L. Os nitratos são tóxicos, causando uma doença chamada metahemoglobinemia infantil, que é letal para crianças (o nitrato se reduz a nitrito na corrente sanguínea, competindo com o oxigênio livre, tornando o sangue azul). Por isso, o nitrato é padrão de potabilidade, sendo 10 mg/L o valor máximo permitido em águas de abastecimento.

Fosfatos

Os fosfatos são moléculas orgânicas compostas por fósforo. Como exemplo temos os detergentes que atingem águas naturais, principalmente, por meio das descargas de esgotos sanitários. Os detergentes citados acima são a principal fonte, mas, além deles a própria matéria fecal é rica em proteína, além dos efluentes industriais (como os de indústrias de fertilizantes, pesticidas, químicas em geral, conservas alimentícias, abatedouros, frigoríficos e laticínios). Áreas que tem como foco atividades agrícola ou áreas urbanas geralmente apresentam uma presença excessiva de fosfatos em seus corpos de água.

O fósforo também é um macronutriente, ou seja, um dos principais nutrientes para os processos biológicos, sendo, portanto exigido em grandes quantidades pelas células.  Assim, esse excesso de fósforo oriundo de processos naturais, industriais e agrícolas pode ser responsável por processos de eutrofização em águas naturais. Os esgotos sanitários no Brasil apresentam, tipicamente, concentração de fósforo total na faixa de 6 a 10 mgP/L, não exercendo efeito limitante sobre os tratamento biológicos.